Olá pessoal!
Navegando no portal da ESPM, achei um Banco de Publicações (
http://bancopublicacoes.espm.br) com diversos artigos interessantes produzidos pelos Professores da instituição. Segue um abaixo que talvez seja pertinente.
Nessa época de constantes inovações tecnológicas e mudanças comportamentais, alguns fundamentos não mudam.
Boa leitura!
O "novo" marketing
J. Roberto Whitaker Penteado
Praticamente desde que aprendi os fundamentos de marketing e isso ocorreu há mais de
quatro décadas que venho lendo e ouvindo que mudou tudo: nada vale mais, mudou o
mercado, mudou o consumidor, mudaram os sistemas de informação, a tecnologia. Vamos
apagar tudo o que aprendemos e recomeçar de zero.
E, no entanto, asseguro que aquilo que se pode considerar como premissas ou elementos
constitutivos básicos da estratégia de marketing permanecem rigorosamente iguais. O
processo chamado marketing estabelece uma relação entre um produtor e um consumidor, na
qual o primeiro procura levar o segundo a adquirir seu bem ou serviço, através de ações que
envolvem de forma geral e simplificada o próprio produto, seu preço, sua disponibilidade
através de canais de distribuição e da comunicação.
Isso não é saudosismo, mas ciência. A razão pela qual o processo ou estratégia de marketing
não muda(m) é, basicamente, porque se trata da descrição de um sistema aberto. Um
continente (a empresa ou instituição que pratica o marketing) tem relações com o ambiente
externo (o mercado, a sociedade). Na interação entre os dois, há fatores controláveis
(determinados dentro do objeto-continente) e fatores incontroláveis (determinados pelos
agentes do ambiente externo), que provocarão uma alteração da situação inicial (outcome),
que poderá ser ou não a aquisição daquele determinado bem, ou do seu concorrente.
A observação, por parte do vendedor, do comportamento real ou previsto dos agentes do
ambiente externo (chamados de fatores "incontroláveis") resultará, espera-se, numa ação
lógica e coordenada sobre os fatores "controláveis", elementos ou ferramentas que estão
dentro do continente (empresa ou instituição). Claro que fica bem mais fácil lembrar que esses
fatores são produto-preço-distribuição-comunicação do que algo como "objeto de desejo,
condições de aquisição, acesso/disponibilidade e interação informacional"... Na vida, nada
costuma ser simples e tudo pode complicar-se.
Moral da história? As coisas mudam, sim. Mudam os mercados, os consumidores, os sistemas
de informação e as tecnologias da comunicação. Muda, como sempre mudou, a transigência. A
essência, contudo, permanece a mesma. Cabe ao profissional, para estar sempre atualizado,
distinguir uma da outra.
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