O Facebook alcançou o sucesso perguntando "quem é você?" Veio o Twitter, que explodiu em 2009 com outra questão: "o que está
acontecendo?" A pergunta da vez, ao que parece, é "onde você está?" E a
resposta traz fama e fortuna ao novo "queridinho" do Vale do Silício, o
vale da Califórnia que concentra as sedes das mais inovadoras empresas
de tecnologia dos Estados Unidos. Conheça Dennis Crowley, criador e dono
do Foursquare.
Seu serviço - uma rede social no qual os participantes informam sua localização - já foi saudado como uma ajuda aos ladrões. Com as
informações coletadas no Foursquare, o site Please Rob Me (Por favor, me
roube) faz uma brincadeira com a tendência ao excesso de
compartilhamento de informações na internet. Mas o perigo - real - de
que o Foursquare realmente ajude criminosos não o impediu de atrair dois
milhões de usuários, metade deles apenas desde fevereiro. Apenas
dezesseis meses após o lançamento, o serviço já vale US$ 95 milhões.
Por trás do projeto está Crowley, 33 anos, saudado como "o novo rei das mídias sociais" pela edição de julho da revista Wired.
Ex-instrutor de snowboard, ex-professor da Universidade de Nova York e
ex-empregado do Google e da MTV, passou todo o ano de 2008 desempregado
até criar o Foursquare.
A idéia não era estranha para ele. Crowley é um dos criadores do Dodgeball, serviço de localização de amigos para telefones celulares
comprado pelo Google em 2005 e que foi a inspiração para seu maior
sucesso. Hoje, ainda na ativa, o Dodgeball tem um milhão de usuários -
metade dos números do Foursquare.
A inspiração para os dois serviços veio de um fato corriqueiro. Em 2001, então um estudante recém-graduado, Crowley queria uma maneira de
reunir amigos sem precisar telefonar para cada um para saber o que
estavam fazendo. Dez anos depois, o Foursquare não apenas informa onde
estão todos, mas encoraja que se encontrem. Também torna a própria vida
um jogo com recompensas virtuais quando alguém, por exemplo, faz um
"check-in" em uma cafeteria ou museu, por exemplo - certo número de
visitas também dá direito a postar comentários sobre o local.
Já em 2001 Crowley, disse um antigo professor ao jornal inglês The Guardian, via a cidade de Nova York como um imenso tabuleiro de
jogo. Estendido a qualquer cidade, o Foursquare torna o mundo inteiro
parte do mesmo jogo. O lado negativo é a censura. Se alguém fala mal de
uma loja, uma equipe chamada "Street Team Elite" - em tese, fãs da
empresa, mas, claro, não faltará quem use empregados para isso - alerta
contra quem é "maligno". "Não odeie" é um mantra do serviço que só serve
a anunciantes, cuja imagem é preservada, não ao público.
Depois de conquistar a maioria dos usuários nos Estados Unidos, o Foursquare prepara a entrada em outros países. Inclusive o Brasil.
O sucesso, ainda que limitado perto do Facebook, que tem 250 vezes mais usuários, já alertou a concorrência. Twitter e o próprio Facebook
desenvolvem aplicativos parecidos. Diante disso, Crowley se prepara para
manter o crescimento. O fundo de investimentos Andreessen Horowitz,
comandado por Marc Andreessen, que também faz parte da diretoria do
Facebook, injetou US$ 20 milhões no Foursquare, que também negocia com
Google, Yahoo! e Microsoft para integrar recursos, segundo o jornal
inglês .
Pelo menos para os gigantes da tecnologia, "onde você está?" é mesmo a pergunta da vez.
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